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Não seja essa pessoa: pare de fiscalizar o seu prato e o dos outros

Sophie Deram

17/01/2018 04h05

Crédito: iStock

Você termina o prato, encara a panela, e pensa: acho que ainda preciso de mais um pouquinho. Olha para o lado, vê se não tem ninguém por perto. “A barra está limpa”, pensa. Se serve e, assim que vai dar a primeira garfada, vem alguém logo apontando o dedo: “Ué, mas você vai repetir? Não estava de dieta?”.

Estamos na era da fiscalização alimentar: comer bem virou um prazer proibido, justamente porque as pessoas perderam a noção do que de fato é “comer bem”. Existe uma busca incessante pela dieta perfeita, pelos alimentos “limpos”, que não engordam e que ajudam a secar a barriga.

Mas o comer perfeito não existe. Não é porque você come uma sobremesa ou porque resolveu repetir a comida de domingo que toda a sua alimentação está arruinada. O segredo é saber equilibrar estes pequenos exageros com uma rotina alimentar de qualidade, com uma boa variedade de alimentos in natura, tentando comer mais comida caseira ou fresca e valorizando o momento da refeição.

Me deixe comer em paz
Eu respeito todos os estilos de alimentação: vegetariano, vegano, flexitariano, pescetariano, lessmeaterian, quem come pouco carboidrato, quem evita gordura, quem consome açúcar, quem prefere adoçante, quem segue recomendações religiosas, etc… No meu consultório, não incentivo as pessoas a mudarem essas decisões, apenas procuro orientá-las da maneira mais adequada às suas escolhas. Da mesma maneira, peço que me deixe comer em paz e que não julgue o que coloco no meu prato. Todo mundo tem direito de comer o que quiser, quando quiser e na quantidade que achar mais adequada.

O que eu quero dizer é que você é o dono da sua própria fome. Não é uma revista de dieta, uma blogueira fitness, uma colega do trabalho ou um familiar que vai te dizer o que você pode ou não pode comer. Nem mesmo um profissional de saúde tem este direito: ele pode orientar, aconselhar, instruir… Mas quem conhece suas necessidades é você. Você é o único responsável pela sua alimentação.

Este tipo de censura tão comum hoje em dia acaba gerando o que chamo de “comer transtornado”, ou seja, um estresse muito grande, inúmeras dúvidas e uma carga enorme de ansiedade e culpa diante da comida. Uma pergunta tão simples como “O que eu gostaria de comer?” acaba sendo uma tortura. Então, vamos ouvir mais o nosso corpo e menos a fiscalização alheia?

Mudança de comportamento
Para poder comer sem culpa, com prazer e qualidade, você precisa estar consciente sobre o seu corpo e sobre sua relação com a comida. Senão, vai continuar sentindo vergonha de repetir o prato na frente de alguém ou culpa por ter tomado um sorvete no meio da tarde.

Se você quer melhorar sua alimentação, comece a prestar atenção nos seus desejos, necessidades e sinais internos. Pergunte-se: “Eu gosto de comer isso ou estou comendo só porque dizem que faz bem? Eu quero repetir este prato ou estou no modo automático?”.

Este tipo de questionamento vai ajudá-lo a comer melhor, porque melhorando a qualidade das suas refeições e o seu comportamento alimentar, vai reduzir seu estresse frente à comida e acabar comendo menos, pois se sentirá mais tranquilo e satisfeito. Com isso, sua saúde irá progredir. E o peso saudável será consequência do processo.

Não seja essa pessoa!
Hoje deixo um convite a todos que querem se libertar dessa cultura repressiva imposta pelas dietas. Não se fiscalize tanto e tente não fiscalizar os outros também. Comer deveria ser um momento de prazer, não um fardo ou um motivo para sentir vergonha.

Como resolução para 2018, tente rever seus conceitos sobre o que é “comer bem”. Permitir-se comer de vez e quando algo que realmente gosta e do que tenha vontade ou que traz de volta alguma lembrança feliz, é algo totalmente natural e saudável. Deixo aqui, para que você possa refletir, a minha definição sobre o que é “comer bem”: é comer de tudo de maneira moderada e flexível, sem culpa, sem restrição, com prazer, e escutando suas emoções e fome. Experimente e seu corpo vai sentir a diferença.

Bon appétit!

Sobre a autora

Sophie Deram é uma nutricionista franco-brasileira, autora do best-seller “O Peso das Dietas”, palestrante, pesquisadora e doutora pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) no departamento de endocrinologia. Defende a importância do prazer de comer para a saúde e a ideia de comer melhor e não menos. Sophie não acredita nas dietas restritivas e no “terrorismo nutricional”. Desenvolve programas online para transformar a relação das pessoas com comida e ensina profissionais de saúde sobre nutrição que alia ciência e consciência.Leia mais no site da Sophie Deram: https://www.sophiederam.com/br/

Sobre o blog

Dicas, reflexões e estudos sobre a relação do nosso corpo com a comida, com foco em alcançar uma relação tranquila com os alimentos e, assim, obter um peso saudável. Esse é um espaço que passa longe dos modismos alimentares. Aqui promoveremos mudanças de hábitos que vão te ajudar a viver melhor. Acredito que o ser humano se nutre de alimentos e sentimentos.

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