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Mente sã, corpo são... e intestino são! Entenda a importância da microbiota

Sophie Deram

24/04/2019 04h00

Crédito: iStock

Sabia que existem trilhões de seres que invadiram e que vivem dentro de você desde que você nasceu? Não se assuste! Isso é normal e saudável. Essa comunidade é constituída por bactérias, vírus e fungos. Ler isso te deu um frio na espinha? E se eu te contar que na verdade esses micro-organismos podem viver em harmonia dentro de nós e inclusive podem nos ajudar a ter uma saúde melhor?

Esses seres pequeninos vivem na sua pele, nos seus cabelos, no seu nariz, no seu trato gastrintestinal e a grande maioria vive no seu intestino! Te apresento aqui a microbiota intestinal!

Afinal, o que é microbiota intestinal?

A microbiota intestinal é o conjunto desses micro-organismos que vivem no nosso intestino. Cada indivíduo apresenta um perfil exclusivo de microbiota intestinal que desempenha muitas funções específicas no metabolismo dos seus nutrientes, mantém a integridade estrutural da barreira mucosa intestinal, tem relação com nosso sistema imune e nos protege contra doenças. Essas bactérias, quando formam uma barreira protetora, impedem que bactérias maléficas tenham acesso e contato com a mucosa impedindo ataques à ela.

A microbiota intestinal é composta por diferentes espécies de bactérias. Essas bactérias se alimentam do que nós nos alimentamos! Então o que comemos (ou não) vai modular as espécies de micro-organismos que vivem no nosso intestino e isso pode ter uma relação direta na presença ou ausência de saúde e pode até mesmo influenciar nosso comportamento e nosso humor.

Um equilíbrio saudável entre esses microrganismos e nós deve existir, a fim de otimizar as funções metabólicas e imunológicas e prevenir o desenvolvimento de doenças.

As bactérias do intestino são os principais reguladores da digestão ao longo do trato gastrointestinal. As bactérias comensais desempenham um papel importante na extração, síntese e absorção de muitos nutrientes, incluindo ácidos biliares, lipídios, aminoácidos, vitaminas e ácidos graxos de cadeia curta (que são usados como combustível pelas bactérias que vivem por ali). A microbiota intestinal tem uma função imune crucial contra a colonização de bactérias patogênicas inibindo seu crescimento, consumindo nutrientes disponíveis e/ou produzindo substâncias que podem eliminar essas bactérias patogênicas.

Como a alimentação define as espécies de bactérias que vivem no nosso intestino?

A microbiota intestinal é caracterizada por uma variabilidade inter-individual devido a fatores genéticos e ambientais. Afinal cada um é um! Entre os fatores ambientais que vão determinar a nossa microbiota, os hábitos alimentares exercem papel fundamental: tanto a qualidade do que comemos, quanto nosso comportamento alimentar.

Existem diferenças principais entre a microbiota intestinal de indivíduos seguindo uma alimentação ocidental prevalente (rica em açúcares, gordura, sal e aditivos químicos) e a de indivíduos com uma alimentação mais rica em fibras (em vegetais). Alterações específicas na composição da microbiota intestinal foram demonstradas entre os indivíduos de acordo com um padrão alimentar diferente.

O tipo de alimentação vai ter influência na sua microbiota e pode promover, ou não, o crescimento de cepas bacterianas específicas, levando a uma consequente alteração do metabolismo fermentativo, com um efeito direto sobre o pH intestinal, que pode ser responsável pelo desenvolvimento de uma flora mais patogênica.

Assim, alterações quantitativas e/ou qualitativas da microbiota intestinal podem trazer prejuízos ao equilíbrio da nossa microbiota, podendo levar ao desenvolvimento de diversas doenças relacionadas à microbiota intestinal, como doenças gastrointestinais funcionais, doença inflamatória intestinal e, além do intestino, como doenças hepáticas, doenças crônicas, obesidade, síndrome metabólica, diabetes mellitus, doenças alérgicas, autismo e outros.

O que são probióticos e pré-bióticos?

Agora já sabemos que a alimentação influencia diretamente nas espécies de bactérias que compõem nossa microbiota. Um padrão alimentar adequado é essencial para que tenhamos um bom equilíbrio da microbiota, com bactérias benéficas e evitando ataques de bactérias patogênicas.

O que sabemos hoje é que não existe uma alimentação perfeita, mas um aumento da ingestão de vegetais parece ajudar na proliferação de bactérias mais benéficas. Quais são as fontes mais interessantes? Vemos que tem dois tipos de substratos bem interessantes para modulação e manutenção da nossa flora intestinal : os probióticos e pré-bióticos.

Os probióticos são microrganismos vivos destinados a proporcionar benefícios à saúde quando consumidos, geralmente melhorando ou restaurando a flora intestinal. São os alimentos fermentados como os leites fermentados, iogurtes naturais, kefir, kombucha, vegetais em conserva…

Os pré-bióticos são compostos em alimentos que induzem o crescimento ou a atividade de microrganismos benéficos, como bactérias e fungos.  São os vegetais de maneira geral que fornecem compostos bioativos e fibras como substrato.

Ou seja, os pré-bióticos são os alimentos consumidos por nós (geralmente ricos em fibras) que serão utilizados pelos probióticos (as bactérias) como fonte de energia através da fermentação.

Antibióticos matam bactérias ruins (e as boas também)

A composição da microbiota intestinal pode ser mais ou menos afetada pelo uso de antibióticos. Estudos têm explorado o efeito de antibióticos com diferentes modos de ação na composição da microbiota intestinal humana e têm demonstrado que os tratamentos com antibióticos modificam a composição da microbiota intestinal com uma abundância/aparência de certas espécies e uma diminuição/desaparecimento de outras espécies. Antibióticos de amplo espectro levam a um desequilíbrio entre bactérias importantes para a saúde do nosso intestino. A alteração da composição do microbioma depende da classe de antibióticos, dose, período de exposição, ação farmacológica e bactérias-alvo. Propriedades específicas de antibióticos como efeitos antimicrobianos ou modo de ação são forças poderosas para a seleção da microbiota intestinal e são parcialmente responsáveis pelas mudanças na composição bacteriana durante a antibioticoterapia. Ou seja, o uso de antibióticos pode alterar a composição da microbiota, dependendo do modo de ação e também da pessoa que faz o tratamento com antibióticos. Por isso deve-se ter cuidado com o uso indiscriminado e sem acompanhamento de antibióticos. Eles podem alterar não só sua microbiota como também vários processos no seu corpo.

Disbiose

O termo disbiose refere-se ao desequilíbrio do ecossistema bacteriano (a nossa microbiota) presente no corpo de um organismo, especialmente o corpo humano e mais particularmente a microbiota intestinal humana na qual se concentra grande parte das pesquisas realizadas atualmente. Esse desequilíbrio frequentemente resulta na redução da diversidade dessas bactérias resultado da redução da diversidade e riqueza genética e aumento das espécies patogênicas. Essa disbiose tem sido associada a cada dia mais a problemas de saúde como os que já foram citados anteriormente.

Para evitar essa disbiose, o nosso estilo de vida, nossa saúde, bem estar e principalmente a nossa alimentação são de extrema importância!

Procure comer melhor! Melhorando a qualidade alimentar e o seu comportamento. Aumente o seu consumo de alimentos frescos e de comida caseira, diminuindo o consumo de alimentos ultraprocessados. Dar uma preferência a alimentos in natura, mais ricos em fibras, pode ajudar a manter uma microbiota saudável e consequentemente ajudar a evitar uma série de problemas relacionados a nossa microbiota!

Bon appétit

Sophie Deram

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Sophie Deram é uma nutricionista franco-brasileira, autora do best-seller “O Peso das Dietas”, palestrante, pesquisadora e doutora pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) no departamento de endocrinologia. Defende a importância do prazer de comer para a saúde e a ideia de comer melhor e não menos. Sophie não acredita nas dietas restritivas e no “terrorismo nutricional”. Desenvolve programas online para transformar a relação das pessoas com comida e ensina profissionais de saúde sobre nutrição que alia ciência e consciência.Leia mais no site da Sophie Deram: https://www.sophiederam.com/br/

Sobre o blog

Dicas, reflexões e estudos sobre a relação do nosso corpo com a comida, com foco em alcançar uma relação tranquila com os alimentos e, assim, obter um peso saudável. Esse é um espaço que passa longe dos modismos alimentares. Aqui promoveremos mudanças de hábitos que vão te ajudar a viver melhor. Acredito que o ser humano se nutre de alimentos e sentimentos.