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Transtornos alimentares também aumentam o risco de suicídio

Sophie Deram

25/09/2019 04h00

Crédito: iStock

O mês está chegando ao fim e com ele se vai a campanha Setembro Amarelo, que estimula a sociedade a dialogar sobre o suicídio e saúde mental. No dia 10 de setembro foi o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio e, por isso, escolheu-se o nono mês do ano para conscientizar as pessoas sobre a necessidade de prevenir esse grave problema de saúde pública. Essa ação teve início em 2015 com a iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

O tema do suicídio é muito delicado e é importante que ações de prevenção sejam realizadas o ano todo, pois o número de casos de suicídio tem aumentado em todo o mundo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 800 mil pessoas se suicidam por ano e um número ainda maior tentam o suicídio. A maioria dos casos, 79%, acontece em países de baixa e média renda, e não em países ricos, como muitos pensam.

Qualquer um pode estar sujeito ao sofrimento, mas maioria dos casos de suicídio parecem estar relacionada a transtornos mentais, como ansiedade, depressão, transtornos de humor, transtorno por uso de álcool e outras substâncias, como também os transtornos alimentares (TA).

Os TA são uma classe de transtornos mentais caracterizados por uma perturbação constante no comportamento alimentar, levando a um consumo de alimentos alterado com consequências significativas para a saúde física e psicossocial.

A anorexia e a bulimia são os TA mais comuns. Eles estão associados com um alto risco de suicídio e, portanto, a avaliação desses casos deve incluir a investigação de comportamentos, tentativas e ideias suicidas.

O transtorno de compulsão alimentar também é um TA comum e caracteriza-se pela ingestão de uma quantidade de comida, em um determinado período de tempo, que a maioria das pessoas não seria capaz de comer. Nesse caso, existe também um sentimento de descontrole em relação ao que se consome. Aqueles que sofrem com a compulsão alimentar sentem que não são capazes de parar de comer ou de controlar o tanto que comem, o que gera um grande sofrimento.

Embora os distúrbios psiquiátricos estejam associados ao risco de suicídio e se considere que os casos têm aumentado, há escassez de pesquisas epidemiológicas sobre a relação entre tentativas de suicídio e os TA. Principalmente quando se trata da compulsão alimentar. Por muito tempo esse TA foi constantemente classificado como um transtorno alimentar não específico, pois só recentemente foi incluído no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, criado pela Associação Americana de Psiquiatria para definir os diagnósticos dos transtornos mentais.

Suicídio e transtornos alimentares podem estar associados

Diante disso, um estudo teve como objetivo examinar a prevalência e a relação entre as tentativas de suicídio e os TA (anorexia, bulimia e transtorno da compulsão alimentar) em americanos adultos.

A pesquisa incluiu 36.171 entrevistados da Terceira Pesquisa Epidemiológica Nacional sobre Álcool e Condições Relacionadas (NESARC-III), projetada originalmente para estimar a prevalência do uso de álcool. Os participantes responderam perguntas sobre histórico de tentativa de suicídio e comprometimento psicossocial associado a TA.

Os pesquisadores estimaram que 24,9% daqueles que sofrem com anorexia, 31,4% com a bulimia e 22% com a compulsão alimentar tentaram suicídio.

Na maioria das pessoas com transtorno de compulsão alimentar (71,2%) o TA precedeu a tentativa de suicídio. Enquanto que 50% daqueles com anorexia e bulimia relataram que o início do TA se deu antes da primeira tentativa de suicídio.

O histórico de tentativa de suicídio também foi associado ao diagnóstico de outros transtornos mentais, como: transtornos de humor, de personalidade, bipolar, depressão, ansiedade, uso de álcool e outras substâncias.

Isso sugere que, embora o diagnóstico de TA esteja significativamente associado à tentativa de suicídio, outros transtornos mentais também podem estar envolvidos e merecem atenção. Por isso, é crucial que sejam desenvolvidas melhores abordagens para a identificação e reconhecimento de riscos anteriores, considerando as diferenças entre os grupos clínicos.

Cuide da saúde mental e previna o suicídio

Esse estudo americano nos alerta para uma situação global e muito delicada, uma vez que o suicídio se tornou um problema de saúde pública. A OMS estima que de 9 mortes por suicídio, 10 poderiam ser evitadas.

Em 2015 a Organização das Nações Unidas (ONU) fixou 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O terceiro deles diz respeito à saúde e bem-estar e tem como metas reduzir até 2030 a mortalidade prematura por doenças crônicas e promover saúde mental e bem-estar, considerando os altos índices de suicídio no mundo.

Apesar da relação com os transtornos mentais, incluindo os alimentares, todos estamos sujeitos a momentos de crise, como problemas financeiros, estresse, rompimentos afetivos, entre outros, que podem desencadear uma tentativa de suicídio.

Para prevenir o suicídio é importante evitar o acesso a objetos e substâncias que podem ser utilizadas para tirar a própria vida, identificar e cuidar das pessoas com saúde mental afetada e acompanhar aqueles que tentaram suicídio.

Também é preciso sensibilizar a todos. O suicídio não pode ser tratado como um tabu, nem as pessoas podem ser estigmatizadas. Se estamos sofrendo por qualquer motivo que seja, é preciso falar sobre. É importante que quem esteja passando por um momento difícil entenda que não está sozinho e procure ajuda de profissionais, como psicólogos e psiquiatras.

Diante de pessoas que apresentem comportamentos de alerta, como isolamento ou falar muito sobre a morte, seja empático e ofereça apoio. Escolha um local apropriado para escutá-las sem julgamento.

Aqui no Brasil também é possível ligar gratuitamente para o número 188 e entrar em contato com voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV) que estão à disposição para conversar com quem deseja e precisa.

Toda e qualquer pessoa está sujeita ao sofrimento psíquico, é preciso estarmos atentos e dar atenção especial àquelas que sofrem com transtornos mentais, entre eles os alimentares e contribuir para que as pessoas tenham uma relação melhor com a comida.

Não encorajar as dietas restritivas e a submissão a métodos emagrecedores, promover uma imagem corporal positiva e considerar que pessoas de todas as formas físicas podem ser saudáveis, não fazer terrorismo nutricional e incentivar as pessoas a comerem sem culpa e a praticar atividades físicas prazerosas, são algumas medidas que julgo importantes para termos bem-estar e uma vida mais leve.

Se qualquer coisa está te incomodando, não hesite em pedir o apoio de profissionais qualificados. As questões que envolvem nossa mente são muito complexas e precisamos de ajuda para revolvê-las.

Sobre a autora

Sophie Deram é uma nutricionista franco-brasileira, autora do best-seller “O Peso das Dietas”, palestrante, pesquisadora e doutora pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) no departamento de endocrinologia. Defende a importância do prazer de comer para a saúde e a ideia de comer melhor e não menos. Sophie não acredita nas dietas restritivas e no “terrorismo nutricional”. Desenvolve programas online para transformar a relação das pessoas com comida e ensina profissionais de saúde sobre nutrição que alia ciência e consciência.Leia mais no site da Sophie Deram: https://www.sophiederam.com/br/

Sobre o blog

Dicas, reflexões e estudos sobre a relação do nosso corpo com a comida, com foco em alcançar uma relação tranquila com os alimentos e, assim, obter um peso saudável. Esse é um espaço que passa longe dos modismos alimentares. Aqui promoveremos mudanças de hábitos que vão te ajudar a viver melhor. Acredito que o ser humano se nutre de alimentos e sentimentos.

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