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8 dicas para manter a saúde do corpo e da mente durante o isolamento

Sophie Deram

25/03/2020 04h00

Crédito: iStock

Para tentar frear ao máximo a propagação do coronavírus, as escolas foram fechadas, as universidades suspenderam suas aulas, eventos foram cancelados e muitas empresas liberaram seus funcionários para trabalharem home office. É imprescindível seguirmos a recomendação do Ministério da Saúde de ficar em casa quando possível. Mas diante do isolamento social e das consequências inestimáveis dessa pandemia, algumas pessoas podem sentir ansiedade e medo não só diante da possibilidade de contrair ou transmitir a doença, mas também das incertezas, da solidão, de problemas financeiros, entre muitos outros motivos.

O psicanalista Christian Dunker, em matéria para o Jornal da USP afirma que nesse momento é comum a desorientação atencional, efeito que pode provocar confusão e dificuldade de concentração. Ele identifica dois grupos de pessoas: aquelas que nunca se sentiram ansiosas e passam a ser com a quarentena e aquelas que já apresentavam fragilidades e seus sintomas são intensificados. Por exemplo, pessoas que sofrem com transtornos alimentares ou apresentam uma relação desafiadora com a comida podem, nesse momento, apresentar maiores dificuldades.

Precisamos dar atenção não apenas à nossa saúde física, mas também à nossa saúde mental. Como mostra Dunker, é o momento de adaptar a nossa rotina, como também de organizar melhor o nosso tempo, por isso trago 8 dicas que podem te ajudar a passar pela quarentena da forma mais tranquila possível.

  1. Se possível, trabalhe em casa – Se a sua ocupação permite, organize-se para trabalhar em casa. O mesmo vale para quem estuda. Reserve um espaço só para essas atividades, assim você terá mais concentração. E se você mora com outras pessoas elas estarão cientes que ao ocupar esse cômodo você estará ocupado. Faça uso da tecnologia para entrar em contato com as pessoas e fazer reuniões de trabalho. Defina um tempo durante o qual irá trabalhar ou estudar e depois desligue-se dessa atividade, outras áreas da sua vida também merecem atenção.
  2. Exercício: ajude o seu corpo e a sua mente – A atividade física ajuda a melhorar nossa saúde mental e bem-estar e também pode ser praticada em casa. Você pode reservar alguns minutos para se movimentar. Alguns educadores físicos têm disponibilizado nas redes sociais exercícios para serem realizados por qualquer pessoa, mas você também pode dançar, alongar o corpo, fazer posturas de yoga, pular corda e, também, fazer faxina.
  3. Coma mais comida caseira – Já falei que o isolamento social pode ser uma oportunidade para comer mais caseiro e menos processado. Nesse caso, cozinhar é uma boa estratégia. Toda a família pode ajudar, assim vocês podem comer bem, interagir mais e lidar melhor com o que está acontecendo. Tenha atenção ao fazer compras nesse período, pois a higiene deve ser redobrada. Não esqueça de higienizar as frutas, legumes e verduras com hipoclorito de sódio (uma substância presente na água sanitária facilmente encontrada nos supermercados), seguindo as instruções do fabricante no rótulo. Quanto às embalagens dos outros alimentos, lave com água e sabão ou álcool.
  4. Tente não descontar suas emoções na comida – Muitas pessoas estão sofrendo com a ansiedade, a angústia e o medo. Na tentativa de acabar esses sentimentos incômodos não é incomum comer de forma exagerada. A intenção é encontrar conforto, o que chamamos de fome emocional. É muito normal comermos diferente quando estamos tristes ou quando estamos felizes e desejamos comemorar. No entanto, isso pode se tornar um problema se acontece frequentemente. Se sempre que temos um sentimento ruim tentamos nos recompensar comendo, isso acaba trazendo consequências negativas para a nossa relação com a comida e não soluciona nossos problemas, nem melhora a nossa saúde. Desse modo, é importante definir horários regulares para realizar as refeições, respeitar os sinais de fome e saciedade, confiar no seu corpo e fazer as pazes com a comida.
  5. Durma bem – Nada como uma boa noite de sono. Busque dormir bem. Sem a obrigação de ir ao trabalho ou sair para estudar é possível que você acabe com o sono fora de ordem. O melhor é estabelecer um horário para deitar e para levantar da cama, evitando um dia improdutivo e entediante, como também ficar cansado e com o relógio biológico desregulado.
  6. Conecte-se com a família e os amigos – Isolamento social não deve significar distanciamento emocional. Se você mora com outras pessoas, reserve um tempo para interagirem. Tire do armário os jogos de tabuleiro, assistam filmes juntos, cozinhem, comam juntos, ouçam podcasts ou simplesmente conversem e aproveitem a companhia. Você também pode ligar, mandar mensagens e fazer chamadas de vídeo para aqueles que estão longes. Principalmente se você mora sozinho, essa é uma forma de estar conectado com outras pessoas e de não se sentir solitário. Se você tem filhos, monte com eles um cronograma de atividade e deixe visível para que possam ver e segui-lo.
  7. Sem excesso de informações – Não dá para fechar os olhos para o que está acontecendo e é necessário buscar informações, até mesmo para sabermos que recomendações seguir. Mas não parece muito adequado passar o dia olhando os noticiários, isso pode gerar mais ansiedade e um forte sentimento de insegurança. Além disso, tem muitas Fake News por aí, procure saber se a informação é confiável e tome cuidado com o que você compartilha. Perceba que em meio a todo o caos também encontramos notícias animadoras sobre o coronavírus: não é todo mundo que fica contaminado que fica muito doente, estudos mostram respostas positivas dos pacientes a medicamentos, cientistas estão mapeando anticorpos, casos graves têm sido curados, etc… Que tal dar mais atenção a informações positivas?
  8. Se precisar, não hesite em pedir ajuda – Esse pode ser o momento para você se conectar mais consigo mesmo, ou de arrumar as gavetas que você tanto planejou e nunca teve tempo, separar objetos e roupas que não servem mais, ler um livro, quem sabe voltar a tocar aquele instrumento que você deixou de lado há anos por falta de tempo, fazer aquele curso online e aprender algo que não seria possível em outro momento. Mas também pode ser que esse seja um período muito duro para você e necessite de ajuda profissional para lidar com seus problemas. Isso não significa fraqueza, mas autocuidado. Nesse caso, busque profissionais especializados, como nutricionistas que nesse momento poderão atendê-lo a distância.

Por fim, espero que você siga as recomendações do Ministério da Saúde, use o seu tempo da forma mais proveitosa e todos nós estamos torcendo para que em breve tudo volte ao normal.

Bon appétit!

Sophie Deram

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Sophie Deram é uma nutricionista franco-brasileira, autora do best-seller “O Peso das Dietas”, palestrante, pesquisadora e doutora pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) no departamento de endocrinologia. Defende a importância do prazer de comer para a saúde e a ideia de comer melhor e não menos. Sophie não acredita nas dietas restritivas e no “terrorismo nutricional”. Desenvolve programas online para transformar a relação das pessoas com comida e ensina profissionais de saúde sobre nutrição que alia ciência e consciência.Leia mais no site da Sophie Deram: https://www.sophiederam.com/br/

Sobre o blog

Dicas, reflexões e estudos sobre a relação do nosso corpo com a comida, com foco em alcançar uma relação tranquila com os alimentos e, assim, obter um peso saudável. Esse é um espaço que passa longe dos modismos alimentares. Aqui promoveremos mudanças de hábitos que vão te ajudar a viver melhor. Acredito que o ser humano se nutre de alimentos e sentimentos.