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Veja como aproveitar as comidas de festa junina sem culpa

Sophie Deram

24/06/2020 04h00

Crédito: iStock

É no Nordeste do Brasil que as festas juninas são mais esperadas, acontecendo durante todo o mês de junho e misturando o sagrado e o profano. É uma forma de festejar, mas também de homenagear três santos: Santo Antônio no dia 13, São João no dia 24 e São Pedro no dia 26 de junho.

Na verdade, também festejamos o dia de São João em outros lugares do mundo: Portugal, França e no Québec é até feriado nacional.

Os historiadores contam que foram os portugueses que trouxeram, no período colonial, essas formas de homenagem a esses santos. A partir daí as tradições e rituais foram se misturando a elementos de diversas culturas, como espanhóis, franceses e até chineses.

Da França temos a influência da dança marcada, que originou as quadrilhas. De Portugal e Espanha a dança de fitas. Da China, onde se manipulava a pólvora, os fogos de artifício. E a partir de trocas culturais esses elementos se misturaram a aspectos dos negros e indígenas, que já realizavam rituais com cantos e danças nesse mesmo período.

As pessoas se preparam para esses festejos, vestindo-se a caráter, de caipira ou matuto (como se diz no Nordeste), com chapéus de palha e saia rodada. Esse ano, com a pandemia da COVID-19, as festas de São João pelo Brasil precisaram ser canceladas, mas mesmo em casa podemos aproveitar esse momento com muita dança, música e comidas de festa junina.

Quanto às comidas, é comum as pessoas sentirem medo de exagerar, mas esse sentimento não ajuda em nada. O melhor mesmo é comer em paz, sem culpa, saboreando o momento e aqui vou te dar algumas dicas que podem te ajudar nisso. Mas antes, vamos conhecer um pouco sobre as comidas de festa junina?

Porque tem tanta comida de milho?

A influência brasileira nessa festa é muito percebida na alimentação. As comidas de festa junina típicas são geralmente feitas de milho.

Esse alimento é muito importante para o brasileiro. Os indígenas tupis-guaranis tiveram contato com o milho a partir dos povos andinos e da Bacia do Prata ele se difundiu por São Paulo e pelo Sul do país, tendo grande participação na nossa alimentação, principalmente no sertão.

No mês de junho há uma abundância de colheita do milho, por isso encontramos nas festas juninas a pamonha, curau, canjica, mugunzá, xerém, pipoca, cuscuz, bolos de milho e de fubá. É interessante que esses nomes variam de um lugar para outro. Por exemplo, o curau que conhecemos em São Paulo é chamado de canjica no Nordeste.

Além das comidas de milho temos diversos pratos preparados com aipim (ou mandioca), coco e amendoim, como bolos, cocadas, pé-de-moleque, além de paçoca, arroz doce, broas e uma infinidade de outras delícias.

Comidas de festa junina não precisam ser light nem diet

Muitas dessas comidas de festa junina são doces em cujo preparo adicionamos açúcar, além de gorduras.

É comum em nossa sociedade uma aversão a esses ingredientes. Assim, muita gente busca opções sem açúcares ou com redução de gorduras e calorias, como os alimentos diet e light para curtir o São João "sem culpa".

Porém, isso pode fazer você se sentir ainda mais culpado. Vou te explicar porque, mas primeiro vamos entender a diferença entre alimentos diet e light:

  • Alimentos diet: aqueles que apresentam uma quantidade mínima de um nutriente ou ingrediente ou mesmo isenção total dele.
  • Alimentos light: que apresentam pelo menos 25% de redução de algum nutriente ou calorias quando comparado a sua versão original.

Nesse caso, se retiramos ou diminuímos ingredientes como açúcares e gorduras, pode ser necessário adicionar outros, tornando-o um alimento ultraprocessado para manter a similaridade com a comida original. Ou seja, não é porque está escrito diet ou light que o alimento está mais saudável.

Em vez disso, é melhor escolher preparações mais caseiras que utilizam ingredientes como açúcar e gorduras com moderação. Eles não são vilões e têm um papel importante na culinária, proporcionando consistência e sabor às preparações.

Mas porque esses alimentos podem gerar ainda mais culpa? Pense comigo. A versão light ou diet não apresenta o mesmo sabor da comida convencional e pode acontecer de ao consumir o alimento modificado você fique buscando outros alimentos para suprir essa frustração. Em vez de um pedaço de bolo acabamos comendo um pedaço de bolo light e diversas outras coisas em busca de satisfação e prazer.

Por isso, não é preciso ter medo. Quando temos uma relação de medo e culpa com a comida, acabamos nos sentindo mais atraídos por esses alimentos "perigosos". Em vez disso, trago aqui dicas para você comer comidas de festa junina realmente sem culpa.

7 dicas para aproveitar as comidas de festa junina: essas dicas valem ainda mais para as crianças!

  1. Valorize a cultura brasileira. Não comemos alimentos apenas biologicamente comestíveis, eles precisam fazer parte da nossa cultura. Caso contrário, ingerir nutrientes seria o bastante. Mas sabemos que a alimentação também é sentimento, fonte de prazer e expressão de uma identidade. Por isso, aprecie as comidas de festa junina e lembre-se que cultura também é saúde.
  2. Ouça seus sinais de fome e saciedade. Nosso corpo comunica-se conosco a todo momento. Dá sinais quando estamos exaustos ou doentes e também nos indica quando estamos com fome ou saciados. Preste atenção a esses sinais e coma até sentir-se satisfeito.
  3. Experimente um pouco de tudo. As festas juninas apresentam uma variedade imensa de comidas. Você pode experimentar um pouco de cada prato, apreciando todas as iguarias, sem precisar exagerar e ter a sensação de que comeu demais.
  4. Busque outras formas de diversão. A comida é muito importante nas festas, é por meio dela também que celebramos diversos momentos. Mas ela não precisa ser central nas festas juninas. Mesmo em casa você pode organizar brincadeiras e até uma quadrilha com os familiares que moram com você.
  5. Não veja as comidas de festa junina como proibidas. Não existem alimentos "proibidos" nem "permitidos". Consumir essas comidas de festa não será responsável pelo ganho de peso nem pela diminuição da sua saúde. Lembre-se sempre que podemos comer de tudo, só não podemos comer tudo.
  6. Volte à sua rotina. Se exagerou na comida, saiba que é absolutamente normal comer um pouco a mais em momentos festivos. Se isso aconteceu com você, não tente compensar fazendo dietas restritivas ou praticando exercícios físicos em excesso. Voltar à rotina de antes é suficiente, o seu corpo agradece.
  7. Coma com prazer e sem culpa. A alimentação precisa ser prazerosa e gerar satisfação. Isso é muito importante para a saúde do corpo e da mente. Não se sinta culpado por comer, pensar assim só levar você a ter mais desejo por comida. Faça as pazes com a comida e com o corpo!

Bon appétit!

Sophie Deram

Sobre a autora

Sophie Deram é uma nutricionista franco-brasileira, autora do best-seller “O Peso das Dietas”, palestrante, pesquisadora e doutora pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) no departamento de endocrinologia. Defende a importância do prazer de comer para a saúde e a ideia de comer melhor e não menos. Sophie não acredita nas dietas restritivas e no “terrorismo nutricional”. Desenvolve programas online para transformar a relação das pessoas com comida e ensina profissionais de saúde sobre nutrição que alia ciência e consciência.Leia mais no site da Sophie Deram: https://www.sophiederam.com/br/

Sobre o blog

Dicas, reflexões e estudos sobre a relação do nosso corpo com a comida, com foco em alcançar uma relação tranquila com os alimentos e, assim, obter um peso saudável. Esse é um espaço que passa longe dos modismos alimentares. Aqui promoveremos mudanças de hábitos que vão te ajudar a viver melhor. Acredito que o ser humano se nutre de alimentos e sentimentos.

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